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Roubaram-nos as salas de teatro e os cinemas, a Feira Popular e os mercados de bairro, os museus e as bibliotecas, o comércio local. Deram-nos os hipermercados e os turistas, que chegam em manadas.
Tiraram-nos a liberdade e a independência, fizeram-nos funcionários e obrigam-nos a trabalhar, sem parar, cada vez mais, por quase nada.
Tiraram-nos os filhos e institucionalizaram-nos.
Vivemos sem crédito, a crédito, não temos voz nem iniciativa própria.
Mentem-nos, enganam-nos e insultam-nos.
Deixam-nos morrer nos hospitais, onde somos mal tratados.
Proibiram as crianças de brincarem e de viverem com os pais.
Obrigam-nos a viver em aquartelamentos.
Convidaram pessoas para virem viver connosco, que não conhecemos, e escravizam-nas.
Separaram-nos, em vez de nos unirem.
Veneram o negócio e o lucro, desprezam as pessoas.
Deram-nos partidos políticos que se governam e gozam connosco.
A nossa tristeza e desespero passa-lhes ao lado; é para esse lado que dormem melhor.
Ainda nos permitem a liberdade de imigrar.
Dão-nos médicos que não nos querem ver.
Tiraram-nos a cidade e mandaram-nos para a periferia.
Entregaram o mundo a pessoas muito, muito doentes.
Perguntem ao vosso empregador, mesmo aquele que vos trata mal e explora, qual é o seu plano a médio prazo e digam-lhe que gostariam de o ajudar.
Lisboa, 21 de Janeiro de 2025
M.F.Menezes e Cunha Neves
