O MANIFESTO DE LISBOA




O MANIFESTO DE LISBOA

 

Roubaram-nos as salas de teatro e os cinemas, a Feira Popular e os mercados de bairro, os museus e as bibliotecas, o comércio local. Deram-nos os hipermercados e os turistas, que chegam em manadas.

Tiraram-nos a liberdade e a independência, fizeram-nos funcionários e obrigam-nos a trabalhar, sem parar, cada vez mais, por quase nada.

Tiraram-nos os filhos e institucionalizaram-nos.

Vivemos sem crédito, a crédito, não temos voz nem iniciativa própria.

Mentem-nos, enganam-nos e insultam-nos.

Deixam-nos morrer nos hospitais, onde somos mal tratados.

Proibiram as crianças de brincarem e de viverem com os pais.

Obrigam-nos a viver em aquartelamentos.

Convidaram pessoas para virem viver connosco, que não conhecemos, e escravizam-nas.

Separaram-nos, em vez de nos unirem.

Veneram o negócio e o lucro, desprezam as pessoas.

Deram-nos partidos políticos que se governam e gozam connosco.

A nossa tristeza e desespero passa-lhes ao lado; é para esse lado que dormem melhor.

Ainda nos permitem a liberdade de imigrar.

Dão-nos médicos que não nos querem ver.

Tiraram-nos a cidade e mandaram-nos para a periferia.

Entregaram o mundo a pessoas muito, muito doentes.

Perguntem ao vosso empregador, mesmo aquele que vos trata mal e explora, qual é o seu plano a médio prazo e digam-lhe que gostariam de o ajudar.

 

Lisboa, 21 de Janeiro de 2025

M.F.Menezes e Cunha Neves