quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Uma má semana, uma semana igual às outras

 

A TOXIDADE DO NOSSO MEIO AMBIENTE SOCIAL 

 

§  Mais de 70% dos doentes não têm acesso em tempo útil a cuidados paliativos, valor que sobe para 90% no caso das crianças. (tvi notícias fev. 2025) 48% dos doentes referenciados em 2023 para cuidados paliativos contratualizadas com o setor privado ou social morreram antes de ter vaga. (Entidade Reguladora da Saúde 2025)

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§  Madeira. Pedidos de carta de condução por cidadãos asiáticos (1.519), vindos do continente, cresceram mais de 600% de um ano para o outro (Poligrafo fev. 2025)

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§  A União de Freguesias do Centro Histórico do Porto tem 37 mil habitantes, mais 14452 do que a vizinha Junta do Bonfim.             Em dezembro de 2024 e janeiro de 2025 a Junta emitiu 797 atestados de residência a imigrantes magrebinos.

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A Junta de Freguesia do Bonfim passou no mesmo período 3890 atestados de residência a homens oriundos, quase todos, do Norte de África. A Junta revela que há moradas que superam uma centena de “residentes” (JN 2 fev. 2025)

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§  Existem atualmente 1806 creches (e berçários) com horário alargado: abertas mais de 11 horas por dia, por ex. das 6h às 00h. O número subiu 42% nos últimos cinco anos. (SIC Noticias fev. 2025)

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§  Mais de 900 mil pessoas que têm emprego vivem na pobreza absoluta (SIC Noticias fev. 2025)

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§  A urgência não se pode manter aberta, é um perigo para os doentes e para os profissionais trabalharem nestas condições “, (diz bastonário da Ordem dos Médicos. Observador feb.2025)

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§  Dezenas de pessoas morreram numa debandada num encontro religioso na Índia onde são esperados mais de 400 milhões de peregrinos. (DN jan. 2025) Banharem-se em rios muito poluídos é uma oportunidade de se libertarem da samsara, o círculo interminável das reencarnações.

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A CATÁSTROFE QUE SE ABATE SOBRE NÓS 

As pessoas parecem estar a perder a sua humanidade: a capacidade de se protegerem, de se amarem e de se sentirem felizes. 

As pessoas são obrigadas a trabalhar cada vez mais e em piores condições laborais e sociais, em piores cidades e aldeias.

As pessoas não cuidam de si mesmas, não cuidam das suas famílias, não cuidam dos seus pais nem dos seus filhos, não cuidam das suas comunidades. As pessoas não têm tempo, nem meios, nem saúde para o fazer.

A simpatia, a gentileza, a compaixão, o prazer de viver e de estar com os outros parecem sensações e vivências cada vez mais longínquas. Não nos conseguimos ajudar, nem proteger, não conseguimos construir, nem criar. 

 Esperamos o pior e não conseguimos reagir.

Os ricos, os bilionários e os governantes -todos eles governam as nossas vidas, contra a nossa vontade- expõem um desprezo total por tudo, particularmente por nós, e uma ganância insaciável. Parecem cada vez mais insensíveis e distantes, cada vez mais zangados connosco. O que dizem e o que fazem, enche-nos de medo. O que dizem que vão fazer é aterrorizador.

 É como se já não existíssemos, como se já não houvesse humanidade; só produtores e consumidores. 

Em Portugal, não é de excluir que os bebés e as crianças mais pequenas venham, mais tarde, a ter dificuldade em reconhecer os seus pais. Muitos destes bebés e crianças passam 8 horas ou mais, por dia, numa instituição, 2, 3 ou mais dias por semana, 10 meses ou mais por ano.

Sobre o homem mais poderoso do mundo, eleito por muitas dezenas de milhões de pessoas, o ministro dos negócios estrangeiros do Luxemburgo Xavier Bettel diz: “If you are weak, he eats you. And if you don’t negotiate, he kills you.” (The Guardian, 4 Feb 2025) 

(Se fores fraco, ele come-te. Se não negociares, ele te mata-te).